sábado, fevereiro 24, 2018

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ


JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
(Resumo)

INTRODUÇÃO
                            
Justificar significa tornar justo, restituir à inocência. A justificação bíblica tem um sentido prático mais profundo do que o aspecto puramente judicial, é um processo mediante o qual o erro é corrigido, o mal se torna bem e o bem se torna melhor. A justificação é o ato judicial de Deus para o pecador que deposita sua confiança unicamente em Cristo, portanto, declarado justo aos Seus olhos, e livre de toda culpa e punição.

Regeneração é revificação, refortalecimento, recuperação moral e ou espiritual. É uma grande transformação em todos aqueles que creem no Senhor Jesus, essa transformação é intimamente ligada ao arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Cremos que a regeneração é um ato irreversível de Deus.

Novo nascimento ou ato regenerador, é a concessão da natureza divina ao homem (2 Pe 1.4). O Espírito Santo é o agente da transmissão dessa nova natureza. É o momento em que o Espírito de Deus se une ao Espírito do homem. Regeneração cristã é uma geração divina (procriação). O nascimento é a condição de vida. Regeneração é um ato e não processo. Uma vez nascido, nascido para sempre.

Santificação do nosso estado e a justificação trata da nossa posição. Na justificação somos declarados justos, na santificação nos tornamos justos. A justificação nos torna seguros, a santificação nos faz sadios. Até ao pé da letra, por falta de santidade, muitos estão doentes e outros até já morreram (1 Co 1.30).

JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

Consciência é o senso abstrato de retidão e de erro. “Como pode o homem ser justo para com Deus?” (Jó 9.2), disse Jó. Este é o grande problema que incomoda a vida do pecador. O senso de pecado e da existência de Deus são universais na natureza humana e a experiência leva essa sensibilidade para à consciência através da observação e da reflexão.

A justificação pela fé é o tema central das duas epístolas aos Romanos e aos Gálatas. Foi o foco dos reformadores e na realidade a essência da mensagem do apóstolo Paulo. “Lutero, orientado por sua profunda experiência sustentou que a Justificação pela Fé era o artigo de uma igreja que se conservaria de pé ou cairia; e o Dr Edward Harold Browne acrescentou que é também o artigo de uma alma que se mantém de pé ou cai.” – Moule.

“Para Tomás de Aquino e Pedro Lombardo, dentre outros eruditos da escola da Idade Média, a justificação tinha um sentido semelhante ao da regeneração; e no decreto do Concílio de Trento, a justificação é considerada equivalente à santificação, sendo ali descrita como ‘não a mera remissão dos nossos pecados, mas também a santificação e a renovação do homem interior’.” – Moule.

Então, a justificação diz respeito à nossa posição perante Deus judicialmente, e não ao nosso estado de vida moral e espiritual. “A justificação no presente da vida do cristã, e se estende em duas direções: o passado e o futuro. Trata do pecado e da culpa de ambas, judicialmente, e estabelece o crente com eternamente justo na presença de Deus.” – Bancroft.

O homem trabalha a justificação muito diferente do tratamento de Deus, o método é divino e não humano. O homem justifica o inocente, Deus justifica o culpado; o homem justifica à base do mérito; Deus justifica à base da misericórdia, diz Bancroft. Rm 8.33: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justiça”. Ainda, Rm 3,24: “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”.

Portanto, o homem é justificado ou considerado reto no sangue de Cristo, ou seja, à base da morte propiciatória de Cristo.

CONCLUSÃO

1 João 5

18 Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado, aquele que nasceu de Deus o proteja, e o Malígno não o atinge.

19 Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Malígno.

20 Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.

Na paz e sempre na paz,

Otoniel Medeiros

terça-feira, janeiro 14, 2014

PERDÃO OU TOLERÂNCIA?

(Referência bibliográfica: O Mal e a Justiça de Deus – N. T. Wright; Editora Ultimato)

Mateus 6.12: “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;”

Presenciamos hoje no Brasil empresas oferecendo altos salários a algumas pessoas públicas condenadas judicialmente por diversos crimes contra a dignidade da nação. Enquanto isto profissionais competentes, éticos, não têm essas oportunidades, isso me incomoda bastante.

Perdão não é:

- O mesmo que tolerância.
- Sinônimo de inclusão.
- Indiferença, seja ela pessoal ou moral.

O perdão é:

- Levar o mal a sério.
- É dar nome ao mal e envergonhá-lo.
- Não permitir que o mal determine o tipo de pessoa que seremos.

Perdoar é um ato de coragem onde se faz tudo ao alcance para “retomar um relacionamento adequado com o ofensor depois que o mal for tratado.”

Sabemos que o perdão é muito difícil de praticar e receber – “e difícil também no sentido de que, uma vez em prática, ele é poderoso; diferente da falsa tolerância, que se limita a seguir a lei da menor resistência.”


Na paz e sempre na paz,

Otoniel Medeiros

domingo, janeiro 12, 2014

O DEUS QUE VAI A UMA FESTA


O DEUS QUE VAI A UMA FESTA
Otoniel M. de Medeiros

(Igreja de Cristo - Cidade Verde - Parnamirm/RN
Resumo da reflexão bíblica do domingo 12/01/2014 - 18h30
por Otoniel Medeiros)

João 5.1-9 (A cura de um paralítico no tanque de Betesda)

O Senhor vai à Jerusalém, havia uma festa; provavelmente a Páscoa. Antes Ele vai ao tanque de Betesda que concentra doentes desesperados.

- No pior local da cidade Ele procura o doente mais impossibilitado e o cura (Jo 5.5-6).
- Festas sem a prática do bem humano, principalmente, nos deixa em estado de desconforto (Tg 2.17).
- A cura do paralítico não cancelou a oportunidade de outro ser curado no tanque (Rm 2.11).

O PIOR DOS PIORES

- O Senhor Jesus passou por aqui. Ele me procurou com misericórdia e me curou (I Tm 1.15).
- Vamos nos encontrar em Apocalipse 7.9-12 (A visão dos glorificados). Vamos juntos?

NÃO PECANDO MAIS

- O pior do pecado é ressuscitar para a vergonha e desprezo eterno (Dn 12.2).
- A igreja vive a escatologia inaugurada: período compreendido entre a vitória de Cristo sobre o mal (morte e ressurreição) e o mundo vindouro (novos céus e nova terra, Ap 21).

A FESTA

N. T. Wright: “Temos o direito de agir como o irmão mais velho e não participar da festa; Deus tem o direito de argumentar conosco; porém, o novilho cevado será servido – quer participemos ou não.”

A paz e sempre a paz,

Otoniel Medeiros


segunda-feira, novembro 18, 2013

O ESPAÇO DE DEUS E O NOSSO

Efésios 1.1-23

            Vamos usar como base bibliográfica para este tema o pensamento do  escritor N. T. Wright no livro Simplesmente cristão, da Editora Ultimato. Com o relato da transfiguração (Mc 9.2-8) e os diversos momentos do Senhor ressurreto com os seus discípulos, somos levados a pensar na inter-relação entre o Espaço de Deus e o nosso. Tanto no grego como no hebraico a palavra “céu” pode significar de fato “o firmamento.” No sentido bíblico, “Céu é o espaço de Deus em oposição ao nosso espaço, e não o lugar de Deus dentro do nosso universo de espaço-tempo.” Pergunta N. T. Wright: “caso o nosso espaço e o espaço de Deus se cruzam, quando e onde isso acontece?” Podemos dividir no campo de crer as pessoas em teístas e ateístas. As pessoas teístas (que creem em Deus) em três blocos: panteístas, deístas e cristãs.

PANTEISMO

            O panteísmo deixa os dois lugares juntos. O espaço de Deus coincide com o nosso espaço. Deus está em toda parte e toda parte é Deus; Deus é tudo e tudo é Deus, esta é a visão do panteísmo; é  formas diferentes de se referir à mesma coisa.

            O panteísmo se popularizou na Grécia antiga e no mundo romano do primeiro século, principalmente através da filosofia chamada estoicismo, sistema filosófico, cujo fundador foi Zenão de Cítio (Chipre), filósofo grego (342-270 a.C.), que aconselha a indiferença e o desprezo pelos males físicos e morais, sendo um comportamento de austeridade, de rigidez de princípios morais. O panteísmo sofreu forte declínio e tem se tornado cada vez mais popular em nossos tempos.

            Pelo alto nível de exigência do panteísmo, atualmente alguns pensadores têm optado por uma variação sutil, chama de “panenteísmo”, que é a visão de que, embora nem tudo seja divino, tudo que existe está dentro de Deus (pan = tudo, em = em, theos = Deus). Doutrina fundada pelo filósofo alemão Karl Christian Friedrich Krause (1791-1832). Nenhuma destas duas visões filosóficas consegue lidar com o problema do mal. O panteísmo é incoerente com a realidade cristã.

DEISMO

            O movimento deísta tornou-se muito popular no Ocidente no século 18. Nesta ideia filosófica há uma separação entre as esferas de Deus e a nossa. Esta visão era bastante popular na antiguidade, ensinada pelo poeta e filósofo Lucrécio, que viveu um século antes de Jesus e desenvolveu e expandiu o ensino de Epicuro, que viveu dois séculos antes dele. A ideia básica desta visão filosófica é que os seres humanos devem se acostumar a estar sós no mundo. Os deuses não interferem nas vidas das pessoas, nem para ajudá-los nem para prejudicá-los. Esta é uma área fértil para a filosofia que se tornou amplamente conhecida como “gnosticismo”. O deísmo é o sistema do que creem em Deus, mas rejeitam a revelação, contrriando a palavra de Deus.

            Vejamos algumas definições facilitadoras para complementação desse assunto (do dicionário Michaelis):

  • Gnosticismo: Movimento sincretista religioso-filosófico da Antiguidade que pretendia salvar o homem por um conhecimento especial. Penetrando o cristianismo, absorveu várias de suas doutrinas, rejeitando outras. Constituiu aí diversas seitas heréticas, que representaram séria ameaça à ortodoxia nos séculos II e III.
  • Agnosticismo: Qualquer doutrina que afirma a impossibilidade de conhecer a natureza última das coisas. Doutrina que afirma a impossibilidade de conhecer a Deus e a origem última do Universo.
  • Teísmo: Crença na existência de Deus e em sua ação providencial no Universo.
JUDAISMO / CRISTIANISMO

            É a forma de crer que o céu e a terra não são contíguos, nem estão separados, pelo contrário se sobrepõem e se interconectam de várias maneiras. Para o panteísta, Deus e o mundo são praticamente a mesma coisa. Para o deísta o mundo tanto pode ter sido criado por Deus como por deuses. Para os cristãos o mundo foi fruto do livre derramar  do poderoso amor de Deus.  “O único Deus verdadeiro criou um mundo diverso dele mesmo, porque lhe agradou fazê-lo. Tendo feito o mundo tal como é, ele tem mantido um relacionamento próximo, dinâmico e íntimo com ele, sem de forma alguma estar contido nele ou que ele esteja em sei mesmo.”

O REINO DE DEUS, SEMPRE O REINO

            Passaremos a usar o livro Teologia do Novo Testamento de George Eldon Ladd, Editora Exodus, como base bibliográfica para alguns dos próximos conteúdos.
           
            Após o seu batismo por João, o Batista, Jesus iniciou o ministério de proclamação do Reino de Deus. Marcos destaca o início deste ministério com as palavras: “Ora, depois eu jaó foi entregue, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o Reino de Deus” (Mc 1.14-15). Mateus sintetiza o ministério de Jesus dizendo: “E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando evangelho do reino, e curando todas as doenças e enfermidades entre o65.17) povo” (Mt 4.23). O evangelista Lucas registra um incidente em Nazaré quando Jesus leu uma profecia a respeito da vinda do ungido pelo Espírito do Senhor, anunciando: “Hoje se cumpriu esta Escritura aos vossos ouvidos” (Lc 4.18-21). Ladd comenta: “Não podemos compreender a mensagem e milagres de Jesus, a menos que os interpretemos no contexto de sua perspectiva do mundo e do homem, e a necessidade para a vinda do Reino.”

O DUALISMO ESCATOLÓGICO

            No Velho Testamento há uma perfeita distinção entre a presente ordem das coisas e a ordem redimida do Reino de Deus. Amós (9.13-15) descreve o Reino em termos bem deste mundo, mas Isaías vê a nova ordem como novos céus e uma nova terra (Is 65.17).

            Algumas vezes o Reino tem a descrição de uma nova ordem redimida na literatura judaica do período pós-exílico. Noutros momentos o Reino de Deus é descrito em termos bem terrenos, dando a ideia que a nova ordem é o aperfeiçoamento da antiga ordem. Noutros momentos a nova ordem é descrita em termos de uma linguagem transcendental. Como igreja cremos num reino temporal terreno (milênio), seguido por uma nova ordem  transformada e eterna; temos uma forma de pensar centrada no cânon bíblico.

            O fim da era presente é um assunto consistente em todos os Evangelhos. Mateus quando fala sobre as parábolas do Reino fala três vezes do fim desta nossa dimensão (Mt 13.39, 40, 49). “Pode-se argumentar que a esperança profética do Velho Testamento sobre a vindo do Reino sempre envolveu uma irrupção catastrófica de Deus na história” (Ladd).

            “Em resumo, esta era presente, que abrange o período desde a criação até o dia do Senhor, a qual nos Evangelhos, é designada em termos da pousaria de Cristo, ressurreição e julgamento, é a era da existência humana em fraqueza e mortalidade, do mal, do pecado e da morte. A era vindoura era a realização de tudo aquilo que o Reino de Deus significa, e será a era da ressurreição para a vida eterna no Reino de Deus. Tudo, nos Evangelhos, aponta para a ideia de que a vida no Reino de Deus na Era Vindoura será vida sobre a face da terra – mas só que uma vida transformada pelo domínio real de Deus quando o seu povo principiar a desfrutar as bênçãos divinas em toda a sua plenitude (Mt 19.2)” (Ladd). È difícil querer entender uma ordem superior quando só conhecemos o desgaste crescente, entrópico. O momento “tempo” que liga a eternidade passada à eternidade futura, nos limita bastante.

UM REINO MAIS PRESENTE

            Abordaremos um Reino que começa a ser real na experiência humana com o novo nascimento e vai se exteriorizando pela pratica cristã até a sua plenitude na Era Vindoura. Portanto,  traçaremos uma revisão começando pela fé e destacando a projeção escatológica do Reino de Deus.

            Na consumação escatológica, o Reino é uma herança dos justos (Mt 25.34). O Reino, é portanto, um dom que o Pai se “agrada em conferir ao pequeno rebanho dos discípulos de Jesus” (Lc 12.32). O Reino não é apenas um dom para o futuro, numa dimensão escatológica, que pertence a Era Vindoura, é também um dom que pode caminha com a paz, o gozo e alegria, que pode ser recebido hoje; é algo que pode ser provado aqui e agora (Mt 6.33) e recebido como as crianças recebem um presente (Mc 1.15; Lc 18.16-17.).

            O Reino representa a satisfação de todas as necessidades (Lc 12.31). As bem-aventuranças consideram o Reino como uma dádiva para os pobres de espírito, os perseguidos por causa da justiça (Mt 5.3-10). A bênção futura que pode ser desfrutada hoje, é o Reino. “À medida que atingia a maturidade, João sentiu um compulsão interior para sair do grandes centros de populações para o deserto (Lc 1.80). Depois de certo número de anos, aparentemente de meditação e espera por manifestações de Deus, ‘Veio a palavra de Deus a João’ (Lc 3.2), em resposta à qual João apareceu no vale do Jordão, anunciando, de modo profético, que o Reino de Deus estava próximo”.

            A pregação de João indicava uma atividade de Deus imediata no Reino quoe envolvia dois aspectos: um duplo batismo que deveria acontecer – como o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11 = Lc3.16). Marcos em sua narrativa condensada falando do ministério de João, menciona apenas o batismo com o Espírito Santo (Mc 1.8).

REFLEXÃO

            Um ponto e vista sobre esta proclamação é que João anunciou um único batismo que inclui dois elementos: a  punição do ímpios e a purificação dos justos. Outro ideia interpretativa é o sugerido pelo contexto. O Senhor Jesus viria e batizaria os justo com o Espírito Santo e os ímpios com o fogo. Neste caso “batismo” é uma expressão metafórica e não tem nada a ver com batismo em água. Qual a sua visão sobre o assunto?

A paz e sempre na paz,

Otoniel M. de Medeiros