segunda-feira, março 04, 2019

2-LIDERANÇA CRISTÃ: o problema do desânimo

 COMO PERSEVERAR SOB PRESSÃO

2.1-INTRODUÇÃO

O líder cristão além de muitos problemas e tentações tem ainda o problema da solidão do topo, ou seja, quando está nos níveis mais altos da estrutura eclesiástica, talvez não tenha colegas em quem possa confiar, é a síndrome papal. Esse conjunto de problemas pode levar o cristão, no caso principalmente, o líder cristão ao desânimo ocupacional e que pode levar a perda da visão e do entusiasmo.

O teólogo John Stott ministra orientações como perseverar sob essas pressões. Ele toma como base 2 Co 4, destacando inicialmente o versículo 1: “Portanto, visto que temos este ministério pela misericórdia que nos foi dada, não desanimamos”. E então o versículo 16 diz: “Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia”. Existe uma expressão similar no capítulo 5, versículo 6: “Portanto, temos sempre confiança”, e, mais uma vez, o versículo 8: “Temos, pois, confiança”. Isso significa ter coragem.

Interessante, no capítulo 3, Paulo revela a glória do ministério cristão, mas, no capítulo 4, ele apresenta os problemas desse ministério. Este é o forte argumento paulino: por causa da glória do ministério e a despeito de seus problemas, nós nos recusamos a ficar desanimados.

2.2 – DOIS PROBLEMAS: O VÉU E O CORPO

Há dois grandes problemas desanimadores no ministério evangélico, primeiro é um problema externo (o objetivo nos ouvintes) e o segundo é um problema interno e subjetivo em nós mesmos. O primeiro Paulo chama de véu: é o que cobre a mente dos incrédulos cegando-os para a verdade do evangelho. O segundo é o nosso próprio corpo, este vaso frágil que guarda o tesouro do evangelho. O primeiro é espiritual: é a cegueira das pessoas para quem anunciamos o evangelho (2 Co 4.4). O segundo é físico: é a nossa mortalidade (2 Co 4.7-18; 1 Co 2.3; 2 Co 12.7). E se os dois problemas se somam?

2.3 – O ANTÍDOTO CONTRA O DESÂNIMO

“Há dois problemas, há apenas uma solução: o poder de Deus. “Primeiro, o véu. O que fazemos quando as pessoas se recusam a responder ao evangelho? Bem, você sabe os motivos pelos quais somos tentados. Somos tentados a recorrer a técnicas emocionais e psicológicas com o intuito de manipular as pessoas para que creiam ou manipular o evangelho para que seja mais fácil crer nele”. Paulo repudia essas técnicas em 2 Co 4.2.

Os versículos 2 Co 4.4-6 mostram que o deus deste século cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho. Paulo refere-se a Gn 1.2-3. Ele compara o coração não regenerado ao caos primitivo, tudo era sem forma, vazio e escuro, até que Deus disse: “Haja luz”, e a luz brilhou nas trevas, isso aí é o retrato que Paulo faz da regeneração. Regeneração é uma nova criação de Deus, quando Deus diz: “Haja luz”. O evangelho é a luz pelo qual Deus vence as trevas e brilha no coração das pessoas. “Não podemos penetrar nas trevas com nossas próprias forças, mas podemos penetrá-las com o poder de Deus quando o evangelho é pregado”.

2.4 – O PODER DE DEUS NA FRAQUEZA

Para a questão do corpo, Stott destaca os versículos: 2 Co 2.7; 1 2.3-4 e 2 Co 1.27. Três vezes Paulo usa a expressão “a fim de”, lógico que intencionalmente. O poder mediante a fraqueza e a vida por meio da morte são os temas das duas cartas. “Acredito que as Escrituras e a experiência nos ensinem esta lição muito desagradável: Deus, intencionalmente, muitas vezes nos mantém na fraqueza para que seu poder possa repousar em nós”.

Parnamirim -  RN, 04 de março de 2019

Na paz e sempre na paz,

Otoniel M. de Medeiros


Referência bibliográfica

STOTT, JOHN. Desafios da liderança. Viçosa: Editora Ultimato, 2016.

Nenhum comentário: