quinta-feira, julho 14, 2011

PROFECIA HOJE?

Otoniel M. de Medeiros


1. O FUNDAMENTO PROFÉTICO E A EFUSÃO DO ESPÍRITO SANTO
    A manifestação do dom profético na prática da Igreja contemporânea encontra sua base no cumprimento da promessa messiânica de Joel 2.28-29 sobre a efusão do Espírito Santo na era da Nova Aliança: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito” (Joel 2.28-29).
   Esta profecia teve o seu cumprimento inaugural no dia de Pentecostes, marcando o início dos "últimos dias": O Cumprimento Histórico no Pentecostes (Atos 2.1-4): “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.”
    A Interpretação Teológica Apostólica (Atos 2.17-18): “E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão.” Na perspectiva continuísta, o período dos "últimos dias" abrange toda a era da Igreja — do Pentecostes até o retorno glorioso de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim, o derramamento do Espírito Santo e os seus dons proféticos permanecem plenamente vigentes para o Corpo de Cristo hoje.

2. OS PROFETAS E O DOM PROFÉTICO NA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO
    A profecia no Novo Testamento esteve presente ao longo de toda a expansão e edificação da Igreja primitiva, operando tanto no ministério eclesial quanto na manifestação dos dons espirituais no meio da comunidade: a) Na Liderança e Instrução da Igreja (Atos 13.1) - “Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo.” b) Na Exortação e Fortalecimento dos Discípulos (Atos 15.32) - “Judas e Silas, que eram também profetas, exortaram os irmãos com muitas palavras e os fortaleceram.” c) Na Manifestação do Dom nos Lares (Atos 21.8-9) - “No dia seguinte, partindo dali, fomos para Cesareia e, entrando na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, ficamos com ele. Este tinha quatro filhas virgens, que profetizavam.”

3. EXEMPLOS PRÁTICOS DE REVELAÇÕES PROFÉTICAS NO LIVRO DE ATOS
 O livro de Atos registra manifestações proféticas claras e específicas, demonstrando como o Espírito Santo atuava para orientar, alertar e edificar os crentes: a) A Fome Global e a Ação Solidária da Igreja - A Revelação Profética (Atos 11.27-28): “Naqueles dias, desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. Levantando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, a qual sobreveio nos dias de Cláudio.” O Cumprimento e a Resposta Prática (Atos 11.29-30): “Os discípulos resolveram enviar, cada um segundo as suas posses, socorro aos irmãos que moravam na Judeia; o que eles com efeito fizeram, enviando-o aos presbíteros por mão de Barnabé e de Saulo.” b) O Anúncio da Prisão do Apóstolo Paulo - A Revelação Específica (Atos 21.10-11): “Demorando-nos ali por muitos dias, desceu da Judeia um profeta chamado Ágabo. Chegando para junto de nós, tomou o cinto de Paulo e, ligando os próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espírito Santo: Assim os judeus ligarão em Jerusalém o homem dono deste cinto e o entregarão nas mãos dos gentios.” O Cumprimento Fiel (Atos 21.33): “Então, aproximando-se o tribuno, prendeu-o e mandou ligá-lo com duas cadeias, perguntando quem era e o que fizera.”

4. DIRETRIZES BÍBLICAS PARA O EXERCÍDIO PROFÉTICO NA IGREJA ATUAL
    Para que a prática dos dons proféticos permaneça saudável, edificante e madura no meio evangélico, três princípios bíblicos essenciais devem ser observados: A Supremacia e Suficiência das Escrituras (Sola Scriptura): O Cânon das Escrituras Sagradas está encerrado e é a regra inerrante e suprema de fé e conduta. Nenhuma profecia contemporânea possui autoridade canônica ou doutrinária igual à Bíblia. Toda revelação ou manifestação profética deve estar rigorosamente submetida e julgada pela Palavra de Deus. Propósito Edificante (1 Coríntios 14.3): A profecia no Novo Testamento é concedida para edificação, exortação e consolação. Ela não deve servir para manipulação, adivinhação comercializada, vaidade pessoal ou desordem no Corpo de Cristo. Julgamento e Discernimento Comunitário (1 Tessalonicenses 5.19-21; 1 Coríntios 14.29): A Igreja é exortada a não extinguir o Espírito nem desprezar as profecias, mas sim a julgar e examinar tudo com discernimento, retendo apenas o que for bom e coerente com a verdade divina.

CONCLUSÃO
    A nossa responsabilidade cristã é imensa no sentido de mantermos uma prática eclesiológica e pneumatológica estritamente coerente com a Bíblia Sagrada. Devemos ter a firme consciência de que o tempo não é um agente limitador dos valores, das promessas e dos dons do Espírito Santo para a Igreja. Ao mesmo tempo, é fundamental não banalizar, mercadorizar ou falsificar essas bênçãos espirituais. Mantendo o equilíbrio constante entre o fervor do Espírito e a autoridade da Palavra, a Igreja continuará a vivenciar a atualidade dos dons para a glória de Deus e a edificação dos santos.


A graça do Senhor Jesus Cristo seja com todos nós.


Otoniel M. de Medeiros



Referências

GRUDEM, Wayne. O dom de profecia: do Novo Testamento aos dias atuais. São Paulo: Editora Vida, 2004.

FEE, Gordon D. A presença capacitadora de Deus: o Espírito Santo nas cartas de Paulo. Tradução de Marcelo Smargiasse. São Paulo: Vida Nova, 2018.

CARSON, D. A. A manifestação do Espírito: a contemporaneidade dos dons à luz de 1Coríntios 12—14. Tradução de Caio Peres. São Paulo: Vida Nova, 2013.

segunda-feira, julho 04, 2011

JESUS E O JEJUM

Ao juntar os textos seguintes sobre o jejum encontrei dificuldade de estabelecer uma relação de equilíbrio entre eles. 

1) Mt 6.17 – Jesus orienta o jejum: “Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,”

2) Mt 9.14-15 – Os discípulos de Jesus não jejuam: “14 Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam? 15 E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão.”

3) Mt 17.21 – Jesus destaca a necessidade do jejum em casos especiais: “Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum.” 
 

Fiz consultas a alguns irmãos, fiquei mais satisfeito com a abordagem do pastor Zwinglio de Andrade Costa: 
 

“Otoniel,
 

No primeiro caso acho que Jesus está ensinando que o jejum, assim como a oração, não pode ser usado por vaidade pessoal (mostrar aos outros que somos espirituais). É só isto que Jesus está dizendo. Jejum como expressão da vaidade religiosa.
 

No segundo caso acho que ele refere-se ao jejum como expressão de tristeza. Nesse caso os discípulos não jejum porque não estão tristes, o seu mestre está presente. Dias virão em que jejuarão, quando houver motivos para tristeza. 
 

No terceiro caso entendo que Jesus está ensinando que, a semelhança da oração, há situações em que precisamos claramente reconhecer a nossa limitação e CLAMAR a Deus em nosso favor. Entretanto, entendo que devemos vigiar para que o jejum, como também a oração ou o dízimo, não seja usado como um suborno a Deus. O Deus que subornamos como práticas religiosas não é Deus. O jejum é uma súplica, é uma oração.
 

Zwinglio.”
 
Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém (I Coríntios 16.27).
 

Nosso abraço,
 
Otoniel M. de Medeiros

domingo, maio 01, 2011

COMUNICAÇÃO COM OS MORTOS, É POSSÍVEL?

(Mateus 17.1-13: A transfiguração)

Num alto monte Jesus transfigura-se diante de Pedro, Tiago e João; seu rosto resplandeceu como o sol, as suas roupas tornaram-se brancas como a luz e lhes apareceram Moisés e Elias.

Moisés morreu na terra de Moabe (Dt 34.5), Deus o sepultou e o seu corpo nunca foi encontrado.

Agora, na transfiguração, aparece Moisés com Elias conversando com Jesus. Esta é uma cena de comunicação com o morto (Moisés)?

Elias foi trasladado (II Rs 2.11), portanto, Elias não era morto; e Moisés? Em Gn 5.24 a Bíblia aborda o caso de Enoque que andava com Deus e foi trasladado, Deus para si o tomou. João Batista em Jo 1.21 disse que não era Elias e nem profeta.

Judas revela que o Arcanjo Miguel disputou com o diabo o corpo de Moisés (Jd 9). O Senhor Jesus é a primícia dos que dormem, ressuscitou para não mais voltar a morrer (I Co 15.20); consequentemente Moisés não poderia estar ali por ressurreição.

A comunicação com os mortos (necromancia), além de ser uma tentativa impossível, é proibida por Deus (Dt 18.11).

Levantamos a possibilidade de Deus ter ressuscitados Moisés, biblicamente voltaria a morrer; e da mesma forma que tomou Enoque e Elias para si, trasladou também Moisés. Nesta alternativa, nos sentimos coerente com a Bíblia.

Conclusão: A impossível tentativa de se comunicar com os mortos, é uma agressão aos princípios cristãos, aos princípios bíblicos, à ordem de Deus.

“A graça seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade. Amém” (Ef 6.24).

Otoniel M. de Medeiros
(Obs.: Se você tem conta Google, deixe seu comentário abaixo. Obrigado.)

domingo, abril 17, 2011

SALMOS 55: O CLAMOR DA ALMA


O crente ora e suplica ser ouvido por Deus. A oração clamorosa, invocadora é no momento de extrema necessidade, que provoca ruído. O inimigo realmente incomoda, clama, procura oprimir, lança iniquidade e com furor objetiva aborrecer.

A tribulação as vezes é forte que deixa o coração dolorido e o terror da morte se aproxima, também se aproxima o temor e o tremor e o horror procura cobrir com um manto . A mente busca livramento e de uma forma criativa e até fantasiosa, o salmista sofredor gostaria de ser um pássaro, uma pomba que em paz voaria para descansar longe dos problemas e pernoitaria no deserto, escapando da fúria do vento e da tempestade.

Mas isso é fantasia, tenho que enfrentar a realidade, e clamo: "despedaça, Senhor..." sim, só o Senhor é quem pode combater as suas línguas, a violência e a contenda da cidade, a malícia, a maldade, a astúcia e engano que não se apartam das suas ruas.

As vezes o perigo não está no inimigo declarado, mas no amigo íntimo, e andávamos em companhia na casa de Deus, mas há maldade. Só há uma saída, invocar o nome do Senhor e Ele me salvará e para isto é necessário orar de tarde e de manhã e ao meio dia, e Deus ouvirá a nossa voz. Há muitos com cada um de nós e o Senhor nos livra em paz a nossa alma para peleja que havia contra nós. Deus nos ouve e aflige o inimigo.

Só há uma saída: "Lança o teu cuidado sobre o Senhor e Ele te susterá; não permitirá nunca que  o justo seja abalado" (Sl 55.22).

O desafio é nos posicionarmos como "justos", sendo pessoas comuns; mas são pessoas comuns que vêem em Jesus Cristo a saída de salvação, e por Ele, na orientação do Espírito Santo, somos justificados.


A graça do Senhor Jesus Cristo seja com todos nós.


Otoniel M. de Medeiros

terça-feira, dezembro 21, 2010

domingo, novembro 14, 2010